Para que um produto digital promova experiências de utilização aprazíveis, e simultaneamente abranja um leque social maior, é fundamental a compreensão do comportamento humano com todas as suas peculiaridades e diferenças. Deste modo, é importante que os designers se sintam familiarizados com princípios básicos da psicologia.

Que áreas da psicologia se poderão revelar úteis aos profissionais de UI e UX?

Na verdade, são diversas as áreas da psicologia que podem ser particularmente úteis no decurso da experiência do utilizador. Hoje vamos debruçar-nos apenas sobre algumas, nomeadamente a psicologia comportamental, cognitiva e a psicologia da Gestalt.

Psicologia Comportamental

Há um exemplo clássico que elucida bem a questão do comportamento humano e a resposta condicionada: o cão de Pavlov. Em tempos um psicólogo russo, Ivan Pavlov, realizou um estudo sobre a acção das enzimas no estômago dos animais, com o objectivo de compreender os reflexos condicionados; neste estudo interessou-se pela salivação dos cães aquando da (in)existência de alimento. No decurso do estudo Pavlov percebeu que a salivação canina surgia quando estes ouviam os passos da pessoa que os iria alimentar. Num segundo momento do estudo, foi introduzido um sino que era tocado no momento em que os cães eram alimentados. À posteriori, concluiu-se que estes animais salivavam assim que ouviam o sino ainda que sem a presença do alimento.

Transportando este exemplo para o mundo digital deparamo-nos com um conjunto de situações, entre elas a lei de Jacob, isto é, o usuário espera que um determinado site funcione de forma semelhante a todos os outros que habitualmente utiliza. Um website é substancialmente mais intuitivo, e bem sucedido, se o seu funcionamento e construção for semelhante aos demais, quer ao nível de funcionalidade, quer ao nível da localização de todo um conjunto de elementos transversais a todos: a localização do ícone para fechar a janela, o facto de abrir uma janela informativa/índice quando clicamos sobre “Menu”, mecanismos de pesquisa pouco literais, entre outros.

Por outro lado temos igualmente “a lei do menor esforço”: sim, os utilizadores gostam de fazer o mínimo de acções para alcançar determinada informação. Por isso, para uma melhor experiência do usuário, há acções que devem ser evitadas, como a existência de PDFs para leitura online (quebra o fluxo de leitura) ou a abertura de novas janelas de navegação.

No próximo artigo iremos dar continuidade a esta temática, abordando e clarificando questões da psicologia cognitiva e da psicologia da Gestalt.


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